3/17/2017

Bicicletas e ciclofaixas estão chegando para ficar?

O uso da bicicleta como alternativa para o transporte nas grandes cidades brasileiras está na ordem do dia. As bikes contribuiriam para resolver problemas de mobilidade urbana, por ajudar a retirar carros das ruas e ocupar menos espaço do que eles. Além disso, trata-se de um meio de transporte que não produz poluição, nem do ar, nem sonora. Contudo, ao lado dos inegáveis pontos positivos, há vários problemas em fazer das bicicletas um meio de transporte viável no Brasil: como torná-las seguras em meio ao trânsito caótico e como obrigar os motoristas respeitarem os ciclistas? A implantação de ciclovias, em São Paulo, por exemplo, tem gerado polêmicas. Há também quem argumente que aqui não é a França ou a Holanda, onde o uso da bicicleta como meio de transporte (e não apenas de lazer) é uma realidade. Como você se coloca diante dessa discussão? Acredita que a bicicleta é uma opção viável ou acha que, independentemente de intervenções governamentais, as bikes não deixarão de ser utilizadas somente como meio de esporte e lazer? Leia a seguir algumas informações que podem ajudá-lo a refletir sobre o assunto e discuta-o numa dissertação argumentativa.







  • Em Brasília, o ministro das Cidades, Gilberto Occhi, inaugura 30 vagas para bicicletas no Ministério e enviou documento a todos os diretores de órgãos federais pedindo que estimulem o uso das bikes

Fatos estatísticos

Segundo a pesquisa Datafolha, 80% dos paulistanos dizem ser a favor da implantação dessas vias e 60% acreditam que a bicicleta é um meio de transporte viável para o dia a dia. Apesar disso, o número de adeptos é tímido - 3% dizem usar a bike com frequência. Um em cada três paulistanos tem bicicleta. Nesse grupo, 47% dizem já haver usado uma ciclovia da cidade. A maioria, porém, declara pedalar nessas vias no máximo duas vezes por semana. Dos que não têm bicicleta, 22% afirmam que pretendem comprar no futuro próximo.

Cidadãos descontentes

Moradores e comerciantes de Santa Cecília, no centro de São Paulo, marcaram um protesto contra a implantação de ciclovias no bairro e ameaçam registrar boletim de ocorrência contra a prefeitura para tentar barrar a iniciativa. Além da falta de aviso prévio ou de debate sobre os impactos das novas ciclovias, os moradores e comerciantes reclamam das alterações provocadas no trânsito com a criação das pistas para bicicletas. Entre elas está a restrição do espaço dos outros veículos, a eliminação de vagas de estacionamento gratuito e de Zona Azul, proibição de parar e estacionar, a alteração de sentido e a redução da velocidade máxima.

Potencial

Trata-se, não por acaso, de tendência nas principais metrópoles do mundo [o uso das bikes]. A bicicleta é um meio de transporte limpo, que ocupa muito menos espaço do que um carro (embora não seja "a" solução para os problemas de mobilidade urbana) e oferece a seus usuários a possibilidade de não ficar refém das condições do trânsito. Numa cidade como São Paulo, porém, nunca foi fácil usar bicicletas, e não surpreende que apenas 3% dos paulistanos digam se valer desse transporte com frequência. Construir 400 km de ciclovias, como quer Haddad, decerto não aplainará o terreno acidentado nem tornará a metrópole mais segura, mas ao menos dará aos ciclistas alguma proteção num sistema tão hostil quanto caótico. O potencial de atração dessas vias é significativo. Entre os entrevistados, 22% declaram intenção de, nos próximos seis meses, comprar uma bicicleta (32% já têm uma), e 41% indicam ser grande a chance de usar as ciclovias.
Fonte
[Folha de S. Paulo]


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